Pirâmide de Níveis Neurológicos

“Não se consegue resolver um problema no mesmo nível em que foi criado. É necessário subir a um nível mais alto”. Albert Einstein

Um modelo conceitual muito importante nos processos de aprendizagem e mudança tem sido a escala de níveis neurológicos desenvolvida por Robert Dilts, pesquisador da teoria dos sistemas, campo científico que valoriza a abordagem holística do homem e da natureza. Dilts é reconhecido mundialmente por seu trabalho com a PNL (Programação Neurolinguística). Seus trabalhos são extremamente úteis para a formação de lideranças e para o Coaching.

O modelo de Dilts sobre os níveis neurológicos é muito oportuno na medida em que classifica os níveis onde podemos atuar para o desenvolvimento do indivíduo. Começando pelo nível mais básico e superficial que é o Ambiente externo, o modelo atinge em seu topo a Espiritualidade, onde já atua no âmago do indivíduo.

Tal modelo é excelente tanto para realizarmos um diagnóstico do nível onde o cliente se encontra, tanto quanto para estruturar a ação de aprendizagem e mudança no indivíduo.

 1º Nível – Ambiente 

O nível do ambiente refere-se ao ambiente externo. O local de trabalho ou convivência do indivíduo que inexoravelmente o influencia e é influenciado por ele. Ninguém pode dizer que está isento das influências externas. Em maior ou menor grau, dependendo do seu nível evolutivo, a relação passiva/ativa do indivíduo com o ambiente varia consideravelmente.

O cliente, neste nível, está no concreto, no tangível, acessando aquilo que está disponível a ele no ambiente, e nas suas relações. Ele atua em um nível superficial e, neste estágio o coach atua como um guia, auxiliando-o na definição das metas, clareando objetivos, e impulsionando-o para a ação.

 2º Nível – Comportamento

O segundo nível é o do Comportamento. Este se refere às ações e reações do indivíduo. Este nível aborda não somente ações efetivas, mas também as ações potenciais efetivadas no pensamento.

Neste nível trabalhamos as ações e reações do indivíduo para as situações em que deseja mudança, ou o alcance de algum objetivo específico. O coach atua como treinador, dando dicas e as mudanças já acontecem, mas ainda são superficiais e remediativas.

O comportamento pode se comparar a ponta de um iceberg. Este é o nível visível de um observador externo. A partir do 3º nível, que veremos a seguir, adentramos em território interior do indivíduo: é o lado submerso do iceberg. Este e os próximos níveis são internos e formam a identidade da pessoa, tal como a cultura em uma organização.

 3º Nível – Capacidades e Habilidades

O terceiro nível é o das Capacidades. Refere-se à própria competência do indivíduo que está relacionada com a aplicabilidade dos seus conhecimentos, e com suas estratégias mentais que direcionarão suas ações.

Como fazer? Quais habilidades e competências eu tenho? Quanto que suas capacidades e habilidades dão direção a sua vida?

Neste nível o coach atua como professor/consultor e desenvolve-se as habilidades e competências do indivíduo para alcançar suas metas. As competências determinam a forma como o indivíduo aplica o conhecimento nas mais diversas situações. Neste nível também nos debruçamos nas estratégias mentais do cliente, o que também está relacionado com competências.

 4º Nível – Crenças e Valores

O quarto nível é o das Crenças e Valores, que se relaciona com o porquê das ações e pensamentos das pessoas. Os indivíduos fazem as coisas de determinada maneira porque possuem suas verdades absolutas e são balizados por seus valores.

Mais especificamente as Crenças, como o próprio nome já o diz, são verdades que acreditamos e que guiam nossas vidas e atitudes. Já os valores são os princípios que estão por trás de nossas atitudes. Por causa dos valores agimos de uma ou outra forma.

Em que eu acredito? O que é importante para mim? Por que ajo assim em determinada situação?

Neste nível, o coach atua como mentor e o cliente é desafiado a reconhecer verdades limitantes que permeiam sua vida. Reconhecê-las e ressignificá-las permitirá desenvolver sua jornada com mais consciência e lucidez, clareando ainda mais as metas e objetivos que se deseja alcançar no processo.

 5º Nível – Identidade

Este é o nível da identidade, o nível do EU. Ele é decorrente das crenças, valores e cultura do indivíduo. Estas e outras esferas de influência imprimem no indivíduo sua identidade. A identidade relaciona-se assim com a missão do indivíduo e o seu senso de si mesmo.

Quem eu sou? Qual o motivo da minha existência? Qual minha missão na vida? O quanto eu sou importante e único? Qual o valor que tem minha própria história?

O processo de identidade é o primeiro passo para o relacionamento com o outro.

“A distância que você tem de algo maior é igual a distância que você tem das outras pessoas ou de você mesmo” (Marques, 2010).

Este é sem dúvida um dos níveis mais difíceis, devido a profundidade de questionamentos que se surge, mas é também o mais libertador. É aqui que ocorrem as maiores transformações conscientes e inconscientes e quando a essência da vida parece ter um novo sentido, um novo brilho e a leveza é substituída pelo pesar da dúvida. Aqui o coach atua como patrocinador, suportando o cliente a atravessar este importante nível, reconhecendo-o e valorizando suas descobertas.

 6º Nível – Afiliação

Este é o nível da Afiliação, ou melhor, é a conexão do indivíduo com os grupos aos quais pertence. Trata da qualidade do relacionamento interpessoal desenvolvido por uma pessoa em diversos âmbitos como família, trabalho, igreja, amigos, dentre outros.

 Qual meu papel na minha equipe? O quanto eu sou importante em determinado grupo? A que grupos pertenço? O quanto eu os convido a participarem da minha vida? O quanto eu participo/me sinto parte da vida deles?

A partir de uma identidade sólida e consciente, o indivíduo pode ter uma afiliação mais saudável com os outros, com grupos específicos, onde é importante tanto o senso do EU quanto o pensar como grupo. Aqui, o coach faz o papel de aglutinador, apoiando e suportando o cliente numa melhor compreensão de si e do outro, e no reconhecimento dos limites saudáveis dessas relações.

 7º Nível – Legado ou Espiritualidade

Este é o nível do Legado ou Espiritualidade. Relaciona-se com o sistema universal no qual o indivíduo faz parte. Neste nível podemos destacar a ética, religião e a espiritualidade.

Qual minha contribuição na sociedade onde vivo? Qual minha relação com o universo que me cerca? Qual o meu propósito? Qual o meu legado? Em que momento eu fiz a diferença neste mundo?

Neste ponto o indivíduo se torna capaz de pensar como humanidade, como ser integrante do universo maior. É o nível da responsabilidade social, da ética, e da conexão com algo maior que permeia a todos. Neste nível o coach faz o papel de despertador e self empowerment.

Com base neste sete níveis, podemos ter suporte para o desenvolvimento do indivíduo a nível global, partindo desde seu ambiente externo (mais superficial) até sua consciência universal (complexa e profunda).

Tanto o Coaching quanto qualquer processo para desenvolvimento humano podem se beneficiar muito dos níveis neurológicos. A partir deles, podemos enquadrar as demandas do indivíduo em determinado nível e desenvolvê-las a partir daí.

Como vemos, a subida nos níveis neurológicos é a exata escalada evolutiva humana, que parte de reações mais superficiais, passando por etapas mais interiorizadas  à nível individual,  chegando até a níveis sistêmicos.

O Coaching pode ser Remediativo, Generativo ou Evolutivo, dependendo em que nível ele atuará no processo do cliente.

Quando as mudanças ocorrem nos três primeiros níveis (Ambiente, Comportamento e Habilidades/Capacidades), estas não tem efeito substancial nos níveis superiores. Uma mudança em nível de ambiente, por exemplo, oferece uma solução Remediativa, no entanto não provoca mudança interior no indivíduo, não o preparando  para novas situações que o seu ciclo de existência certamente voltará a trazer.

As mudanças que trazem mais transformação são aquelas que acontecem a partir do nível das Crenças e Valores, que ainda que seja remediativo, o cliente começa a questionar a si mesmo e ressignificar verdades que traz até então.

E, é no nível da Identidade, que as transformações mais profundas acontecem. E tais mudanças já não são mais momentâneas, pois o cliente realmente passa a se perceber de uma forma nova, que na maioria das vezes, diverge e muito da maneira como o vem fazendo ao longo de sua jornada.

A partir daí, a mudança e a qualidade de suas relações interpessoais acontece inevitavelmente (nível da afiliação), o que levará a um sentido mais amplo da vida, de sua essência, do Universo e de sua missão.

Tatiane Guedes

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2 pensamentos sobre “Pirâmide de Níveis Neurológicos

  1. Tatiana, parabéns por sua explicação sobre os níveis neurológicos de Robert Dilts, ajudou em minha compreensão quanto ao estudo da PNL.

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